Juggler Rogrio Piva
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Papua Nova Guiné - Cheguei no Limite do Mundo

Papua Nova Guiné - Cheguei no Limite do Mundo

A Papua Nova Guiné, o país mais multicultural do mundo, recebe um malabarista que através da arte, fez com que algumas dessas múltiplas etnias diferentes que lá habitam, esquecessem os conflitos por alguns instantes para estarem juntos em um círculo feito improvisadamente em algum espaço público e pudessem entre todos, compartilhar risos e emoções, harmonizando completamente qualquer diferença. 

Lá, encontrei o grupo PNG Circus que faz parte de um projeto social e oferece a oportunidade para jovens se tornarem verdadeiros artistas. Pude conviver um pouco com cada um e deixar um pouco do que aprendi nesse mundo através das oficinas e aulas abertas, seja dentro do ginásio e até mesmo nas ruas, ocupando os espaços públicos para shows com estes jovens. Também visitei diversas comunidades e até fiz uma viagem para a Ilha Kar Kar ao lado do governador da Capital Port Moresby que se encantou com meu trabalho. Visitei diversas comunidades e para quase a totalidade de pessoas, foi a primeira vez que assistiram a um show de circo. 

Nessa minha jornada, a Nova Guiné me levou no mais intenso das minhas emoções que se junta a todas as experiências de um artista que vive itinerante, mergulhado em reflexões de uma vida de despedidas, de encantamentos e de inúmeras histórias, que vive para andar nesse mundo com uma mochila cheia de sonhos e incertezas, para levar ao público, seja onde for, um pouco da sensibilidade que essa sociedade doente tenta nos arrancar. A arte na sua mais pura essência, democrática, livre e aberta a todos sem nenhuma distinção. 

Sou imensamente grato a Johan e Mariana do Mandrágora Circus que residem na Papua Nova Guiné (PNG) e dedicam seu tempo a ensinar a arte para as pessoas de lá. Johan e Mariana me receberam com muita atenção e hospitalidade além de contribuirem imensamente na articulação dos shows nas comunidade. 

“As imagens permanecem na minha mente e meus olhos parecem enxergar a cada instante, cada momento guardado por minhas lembranças que são tão nítidas. A felicidade em que meu coração é tomado não permite que as lágrimas se contenham, elas escorrem prazerosamente, ininterruptas, no anseio impetuoso por libertar-se da desordem de sentimentos que as condiciono. Lembro claramente, daqueles rostos, das bocas sem dentes, dos sorrisos avermelhados, das reações espontâneas, da curiosidade e dos olhos atentos. A cada segundo, flashes de recordações daquela senhora que ousadamente entrou na roda para me seguir em uma dança, da criança com seus grandes olhos, espantada e 

encantada pelos malabares dançando ao ar, da multidão espremida, estonteante, compartilhando as mais profundas gargalhadas. Os adultos, disputavam com as crianças os melhores lugares e se atiraram apertados pelo chão. Lembro daquelas grandiosas e cansadas senhoras, essas mulheres tão guerreiras e vítimas da poderosa e opressora cultura machista que tanto as maltrata. Estavam ali,  pelo chão, esparramadas segurando suas crianças ao colo, esperando na mais intensa ansiedade por saber o que é o circo. 

As lágrimas não param de escorrer por minha face enquanto escrevo nesse inocente caderno. Tentar descrever esses instantes, me leva ao momento, me faz reviver tudo intensamente e sou absorvido, tomado pelo sentimento de vitória por ter conseguido chegar até aqui, por conseguir manter meu objetivo e fazer o que faço, por conseguir que eles recebam com tanta felicidade o que de mais sincero eu me esforço para oferecer. Queria agora, a capacidade de palavras da Clarice Lispector e descrever com precisão um único minuto das minhas lembranças. Volto no tempo de adolescente, quando me imaginava viajando pelo Brasil e agora, ao me dar conta que estou no mundo, me equilibrando entre meus sonhos e minhas fraquezas humanas, meus vícios e toda a podridão que esse mundo caótico cultivou em mim. Quando percebo que refutei minhas idéias de fronteiras e que minhas asas feitas da arte que aprendi, me levou pro mais distante do que eu podia imaginar e colocou diante de mim, os questionamentos que eu precisei para encarar de frente os padrões impostos por esse sistema destrutivo e falido. De pouco em pouco, sigo na compreensão mais nítida das minhas prioridades que se chocam com o ego, teimoso e resistente que briga para manter seu espaço. 

Cada dia na Papua tem sido mágico e me sinto cada vez mais realizado por conseguir chegar tão longe e trazer a essas pessoas um pouco do que meus olhos veem, oferecer o bilhete para entrarem no mundo do circo pela primeira vez e claro, para serem parte da minha história, por me darem a permissão e o acolhimento para lhes entregar um pouco do encanto em que estou absorvido. Trago um pouco da arte a qual me dedico e eles me proporcionam um pouco da alegria e esperança que me nutre, assim, a transformação é recíproca, lhes concedo o melhor que posso de mim e a cada show, apanho os momentos que valem por toda uma vida.” 

 

https://www.youtube.com/watch?v=9Vz9yuEFj3o

https://www.youtube.com/watch?v=GtUMxJK7m5k

 

 

Rogério Piva

 

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