Rogério Piva segue desbravando os caminhos do mundo como um saltimbanco. Em

uma jornada independente pelo Pacífico, o artista brasileiro chegou primeiro a Fiji, depois partiu para Tonga e, mais recentemente, desembarcou em Samoa. Em comum, os três destinos têm a distância, os desafios de acesso e a riqueza cultural de comunidades que raramente fazem parte das rotas tradicionais de grandes espetáculos internacionais.
A viagem representa mais uma etapa de uma trajetória construída entre malas, equipamentos e a disposição de levar a arte a lugares onde ela nem sempre chega. Com seu espetáculo, Piva combina malabarismo, teatro, música e narrativa, criando apresentações que dependem menos de grandes estruturas e mais da presença do artista e da participação do público.
Em Fiji, o brasileiro participou do Fiji Showcase, dando início a uma nova etapa de sua passagem pelo Pacífico. De lá, seguiu para Tonga e, posteriormente, para Samoa, onde realizou apresentações públicas e ampliou o contato com comunidades locais. A experiência integra uma trajetória internacional que, segundo reportagem publicada pelo Samoa Observer, já alcançou 53 países na América, Europa. Ásia, África e Oceania.
Em Samoa, Piva apresentou o espetáculo The Great Circus Show em diferentes locais. A primeira apresentação aconteceu em 26 de julho de 2026, no Malaefatu Park, na Capital Apia. Na sequência, o artista levou o espetáculos por escolas e comunidades da região e na Ilha de Savaii.
As apresentações foram anunciadas com acesso gratuito e contribuição voluntária ao final, permitindo que o público participasse sem a obrigatoriedade de pagar ingresso. A proposta reforçou o caráter acessível da temporada e a intenção de levar o circo a diferentes públicos.
A chegada do artista foi registrada pelo Samoa Observer, que publicou, em 25 de julho, uma reportagem sobre sua estreia no país. Na entrevista, Piva falou sobre a expectativa de realizar seu primeiro espetáculo em Samoa e o desejo de ampliar a temporada com novas apresentações.
“Este domingo será muito especial. Será meu primeiro espetáculo aqui em Samoa e espero fazer mais apresentações aqui”, afirmou o artista ao jornal.
A temporada também contou com a aproximação do norte americano Bruno Loyalle, apresentado como um veterano do circo que reside em Samoa e é o diretor do Cirque Magic Samoa que percorreu grande parte das ilhas do Pacífico. O encontro entre os dois artistas simbolizou a troca de experiências e a conexão entre diferentes trajetórias circenses.
Além dos espetáculos públicos, Piva também levou sua arte ao Campus of Hope, espaço de acolhimento mantido pelo Samoa Victim Support Group (SVSG). A apresentação foi realizada para crianças que vivem no abrigo há meses ou até anos, proporcionando uma experiência que, para muitas delas, seria difícil de encontrar fora daquele ambiente.

A aproximação aconteceu por meio de Stephanie Gonzalez, professora de francês e amiga de longa data da organização, que apresentou a Piva o trabalho desenvolvido pelo SVSG. Sensibilizado pela iniciativa, o artista decidiu visitar o espaço e compartilhar sua arte com as crianças.
A visita exigiu uma mudança de planos. Originalmente, Piva tinha uma apresentação programada para Savaii naquela manhã. Ao saber que aquela seria sua única oportunidade de visitar o Campus of Hope, decidiu alterar o roteiro para passar a manhã com as crianças.
Após o encontro, a organização agradeceu ao artista pela apresentação e destacou os momentos de alegria proporcionados às crianças e à equipe do abrigo.
“Obrigado, Rogério, por encher nossas barrigas de risadas e nossos pulmões de dores alegres.”
A mensagem publicada pelo SVSG também ressaltou que os sorrisos, as gargalhadas e as memórias criadas durante a manhã permaneceriam com as crianças e os funcionários por muito tempo.
A passagem por Samoa revela uma característica central da jornada de Rogério Piva: a escolha de seguir de forma independente, levando sua arte por caminhos que exigem planejamento, adaptação e disposição para enfrentar desafios.
Mais do que circular por diferentes países, o artista busca construir uma trajetória sustentável, na qual os próprios espetáculos ajudam a manter a continuidade da viagem. A proposta de contribuição voluntária, presente nas apresentações em Samoa, faz parte dessa busca por equilíbrio entre a liberdade artística, a manutenção do trabalho e o acesso do público à cultura.
Essa forma de viajar também permite que Piva alcance comunidades carentes e espaços onde grandes produções dificilmente chegam. O circo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma apresentação e se transforma em uma oportunidade de encontro, participação e troca.
A experiência no Campus of Hope reforçou esse propósito. Ao levar o espetáculo até as crianças, o artista mostrou que a arte pode atravessar fronteiras e chegar a públicos que, muitas vezes, não têm a possibilidade de assistir a uma apresentação.
Rogério Piva recebeu o apoio do Savaii Lagoon Resort com hospedágem e do Dive Savaii enquanto esteve na Ilha de Savaii.
A jornada pelo Pacífico começou em Fiji, passou por Tonga e chegou a Samoa, mas representa apenas mais um trecho de um caminho maior. Para Rogério Piva, cada destino é também uma oportunidade de descobrir novas possibilidades, conhecer pessoas e compartilhar uma arte que carrega consigo por diferentes partes do mundo.
Em lugares de difícil acesso, onde a distância pode ser um obstáculo para a circulação cultural, o artista segue construindo pontes com seus espetáculos. A cada apresentação, amplia sua rede de contatos, fortalece sua sustentabilidade e reafirma a escolha de viver da arte sem abrir mão da liberdade de explorar novos caminhos.
Ao encerrar sua passagem por Samoa, Piva levou consigo não apenas a experiência dos palcos, mas também os encontros com artistas locais, a receptividade do público e a lembrança de uma manhã especial no Campus of Hope.
De Fiji a Tonga, de Tonga a Samoa, Rogério Piva segue como saltimbanco, desbravando os caminhos do mundo e levando o circo a lugares onde a arte pode fazer a diferença.
https://www.samoaobserver.ws/category/samoa/121123
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Rogério Piva