Rogério Piva é um artista circense brasileiro, natural de São Paulo, cuja trajetória se constrói a partir da arte popular, da itinerância e do compromisso com o acesso democrático à cultura. Iniciou sua formação artística em 2002, aos 14 anos, por meio de um projeto de inclusão social na periferia da Zona Sul de São Paulo, no bairro do Guacuri. Desde cedo, teve contato com artistas de rua e repentistas que se apresentavam em praças da região do ABC Paulista, especialmente em Diadema, experiências que despertaram seu interesse pela poesia oral, pelas narrativas de viagem e pela vida mambembe.
Ao conhecer o malabarismo, Rogério Piva passou a vislumbrar a possibilidade de levar sua arte para além dos limites geográficos e sociais de sua origem. Iniciou sua trajetória artística apresentando-se nas ruas da cidade de São Paulo e, posteriormente, em pequenos circos do interior. Seu desenvolvimento o levou a integrar companhias circenses nacionais e internacionais, viajando pelo Brasil e por dezenas de países, participando de importantes festivais e sendo premiado ao longo de sua carreira.
Em 2014, Rogério Piva foi convidado a se apresentar para o Papa Francisco, no Vaticano. No mesmo ano, recusou um convite para integrar o Cirque du Soleil, decisão motivada por sua compreensão da arte como prática popular, acessível e distante da lógica estritamente mercantil. Mesmo atuando fora dessas grandes estruturas, alcançou territórios e comunidades onde companhias internacionais dificilmente chegariam, muitas vezes de forma completamente independente.
Artista que acredita na arte como ferramenta de transformação social, Rogério Piva realizou longas viagens autônomas por regiões periféricas da África, Ásia, Oceania e América Latina. Entre 2015 e 2016, esteve por nove meses no continente africano, passando pelas Ilhas Maurício, Ilha da Reunião, Mayotte, União das Comores, Tanzânia e África do Sul, retornando à África em 2020 para atuar no Marrocos. Na Ásia, percorreu países como Indonésia, Tailândia, Malásia e Timor-Leste. Em muitas dessas jornadas, deslocava-se de motocicleta, transportando seus próprios equipamentos e apresentando-se em comunidades com pouco ou nenhum acesso à arte circense. Essa experiência o levou também à Oceania, passando pela Austrália, Papua-Nova Guiné e Ilhas Fiji.
No circuito internacional, Rogério Piva destacou-se com o número “Made in Brazil”, apresentação que reúne virtuosidade técnica, irreverência e forte identidade cultural brasileira. Utilizando elementos do samba, da lambada e instrumentos como pandeiros integrados ao malabarismo, o espetáculo evoca o carnaval brasileiro e consolidou sua presença em companhias de diversos países, rendendo-lhe convites contínuos, prêmios e o reconhecimento como um dos principais malabaristas brasileiros de sua geração.
Paralelamente à atuação em grandes circos, Rogério Piva consolidou sua prática itinerante independente por meio de seu circo mambembe, com o qual segue cruzando caminhos pelo Brasil, realizando apresentações em cidades do interior, territórios rurais e em diversas comunidades, incluindo a periferia da cidade de São Paulo. Essa circulação reafirma seu compromisso com o encontro direto com o público e com a valorização do circo como expressão cultural popular e acessível.
Além da atuação artística, Rogério Piva é autor do livro Diário de um Malabarista e da coleção Cordéis de um Malabarista, nos quais registra suas andanças e reflete sobre o poder transformador do acesso democrático à arte. Em 2023, sua trajetória foi retratada em um documentário produzido pela produtora russa 1·2·3 Productions, integrante da série Rota da Seda. O filme acompanha uma viagem de dois anos e seis meses realizada de forma independente pelo Nordeste e Norte do Brasil, na qual Piva percorreu mais de 100 comunidades com seu projeto Circo Mambembe do Rogério Piva.
O Circo Mambembe do Rogério Piva é um circo-teatro itinerante transportado em um Fusca apelidado de Pitanga que carrega cadeiras, cenário, iluminação e sistema de som, permitindo apresentações em praças, ruas e territórios sem infraestrutura cultural ou elétrica. Durante essa jornada, Rogério Piva apresentou-se para comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e garimpeiras, atravessando o Nordeste, a região Norte, chegando ao Acre, ao Peru e às Cordilheiras dos Andes.
Ao longo de sua trajetória, Rogério Piva recebeu reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo uma certificação da União Africana por sua dedicação à difusão da arte circense em áreas remotas. Foi homenageado no Festival Internacional de Circo do Peru (2016) e na Universidade Mesoamericana de Puebla, no México (2017), além de ser premiado em festivais em Cuba, Itália e Marrocos, com destaque para prêmios de melhor número e maior aclamação do público.
Em 2025, Rogério Piva retornou novamente ao continente africano, realizando apresentações no Marrocos e na Mauritânia, onde atravessou o Deserto do Saara levando espetáculos a comunidades localizadas em territórios de difícil acesso, reafirmando sua vocação itinerante e seu compromisso com a democratização do acesso à arte.
No mesmo ano, recebeu o Troféu Picadeiro, uma das mais importantes premiações do circo no Estado de São Paulo, reconhecimento concedido pela própria classe circense por sua trajetória como malabarista e artista circense.
Com mais de 22 anos de carreira, passagem por 47 países, livros publicados, filmes e documentários realizados, Rogério Piva segue atuando tanto em grandes circos quanto em territórios periféricos e comunidades com acesso limitado à cultura. Residente até hoje no bairro onde cresceu, promove apresentações gratuitas e independentes em sua própria comunidade, transformando ruas e espaços abertos em palcos de encontro, reflexão e celebração coletiva.
Sua trajetória reafirma a convicção de que o acesso à arte transforma vidas. A vida e a obra de Rogério Piva configuram a trajetória de um saltimbanco contemporâneo, que faz da arte um ato permanente de liberdade, dignidade e unificação entre os povos.
LIVROS PUBLICADOS
CORDEIS DE UM MALABARISTA
Formação e Atuação Profissional
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