grande, que continua me atirando por este mundo. Até quando? Não sei dizer. Mesmo com o corpo cansado e a mente pedindo o conforto de casa, a mochila parece me arrastar ao encontro de rostos que enchem meu coração de paz.E, nesses encontros, sempre há pessoas que nos dão a mão e nos ajudam a seguir.
Mohamed Abidi, obrigado pela acolhida e por compreender comigo o sentido desses caminhos.
Foi assim que cheguei ao Marrocos, onde tive a oportunidade de realizar espetáculos em comunidades isoladas. Segui pelo deserto do Saara, atravessei paisagens de calor e frio extremos e, depois de tantos quilômetros, cheguei à Mauritânia.
Cada rosto foi um encontro. Cada encontro, uma surpresa.
Foi também no Marrocos que tive a alegria de participar, ao lado do artista Marco, do Le Cirque Solidaire Khouribga, um espetáculo de circo solidário organizado pela Association Marco et la Médiathèque de Khouribga OCP.
O encontro aconteceu no dia 25 de janeiro de 2025, às 16h30, na Médiathèque de Khouribga, reunindo arte, solidariedade e a vontade de levar alegria ao público.
A imagem desse espetáculo, com Marco e eu em cena, cercados por malabarismos, música e elementos do universo circense, representa um pouco do que venho buscando nesta caminhada: a possibilidade de fazer da arte uma ponte entre pessoas, culturas e lugares tão diferentes.
Havia o silêncio imenso do deserto, as mudanças bruscas de temperatura, a simplicidade das comunidades e aqueles momentos espontâneos em que a arte encontrava seu caminho até as pessoas. E, mais uma vez, pude perceber que o circo não precisa de muito para acontecer. Às vezes, basta um espaço, alguns objetos e a disposição de compartilhar.
O malabarismo se tornou uma linguagem. Uma comunicação universal, capaz de atravessar fronteiras, idiomas e diferenças. Entre uma apresentação e outra, entre o riso de uma criança e a curiosidade de quem nunca havia visto aquilo antes, fui compreendendo que a arte também é uma maneira de chegar ao outro.
E talvez seja isso que continue me movendo.
Não apenas a vontade de conhecer lugares, mas a possibilidade de encontrar pessoas. De aprender com elas. De deixar alguma coisa e levar comigo muito mais do que trouxe..jpg)
O corpo pede descanso, é verdade. A saudade de casa também existe. Mas ainda há caminhos que me chamam, rostos que quero conhecer e histórias que precisam ser vividas.
E sigo.
Com a mochila nas costas, o circo como companheiro e a esperança de que, em algum lugar do mundo, ainda exista um picadeiro onde possamos nos encontrar.
