ILHA MAYOTTE - AFRICA
Hoje pude contar um pouco da minha história e trajetória para os jovens que participam dos projetos sociais e associações aqui na Ilha. Além dos jovens, estavam presidentes de associações e o departamento do governo francês responsável pelo repasse de verbas para os projetos. Foi de estrema importância para eles, ouvirem as minhas posições e exemplos relacionado aos projetos sociais, já que meu primeiro contato com a arte foi devido a um projeto social e por fim, finalizei com um pequeno show onde eles puderam entender melhor minhas palavras.
Então vamos lá a uma breve análise.

Bom, A ilha Mayotte é o 101° departamento francês desde 2011. Aqui a pobreza é imensa e as dificuldades parecem aumentar a cada dia. Muitos jovens se perdem para o caminho do crime ou das drogas e a discriminação segue sendo algo ainda muito forte.
Esse evento organizado pelo departamento francês responsável pelo repasse de verbas as associações teve um papel importante nesse delicado setor. Estabeleceu um diálogo mais aberto sobre os terríveis problemas contínuos que enfrentam a juventude, de que maneira atrair mais voluntários e jovens para dentro desses projetos e como manter os jovens nas atividades. Os assuntos foram variados e importantíssimos.
Eu estava sentado no auditório e no momento do debate eu pedi o microfone para a expor o que eu pensava. Expus minha experiência vindo de um projeto social da periferia na zona sul de São Paulo. Falei sobre a minha trajetória e todas as conquistas até o momento e não pude deixar de ressaltar minha crítica sobre o que ocorre na maioria dos projetos e associações.
O que tenho percebido na maioria dos projetos sociais e associações é a valorização do nome, ou seja, estão mais preocupados com a imagem do que com o próprio jovem. Enquanto seguir com a politicagem dentro desses espaços, os jovens sempre serão segundo plano, já que são apenas estatísticas para as campanhas de marketing social e política. Citei o exemplo da minha própria experiência, pois eu participava de um projeto financiado por empresas privadas. No projeto tínhamos muitas atividades, porém, nenhuma de formação, digamos, apenas passa tempo. O maior problema era que aos 18 anos, tínhamos de largar o projeto. Na minha visão, é aí que vejo um grande problema. Muitos projetos não se preocupam com a qualificação, apenas com a retirada das crianças da rua, mas depois de certa idade, ela é jogada de novo nas ruas. Aquele talento que poderia ter se desenvolvido, foi ocultado. O jovem, com o que desenvolveu, se vê perdido,

sem direção. Ressaltei que a atenção deveria ser redobrada a aqueles que mais se desenvolve nas atividades e especializá-los. Falei um pouco sobre a falta de exemplos, pessoas que conseguiram seguir com êxito, determinado caminho que aprendeu em um projeto. O caminho das artes é difícil e sofre muita discriminação, acredito que a maior das barreiras, é a desmotivação que vem através do preconceito e da falta de estímulos que façam os jovens acreditar mais. É como se oferecem a religião, mas não impulsionassem a fé. Ressaltei as aulas que eu havia iniciado em uma pequena associação em um dos bairros da ilha e a maneira como pude persuadir alguns dos jovens a praticar malabares com mais vontade que foi quando falei da minha trajetória e mostrei algumas fotos em seguida eu disse que poderia ser eles.
O assunto foi muito extenso, Ao final de tudo, fiz uma parte da minha apresentação que sem dúvida, gerou muita motivação aos jovens que ali estavam e vieram muitos convites para apresentações nas vilas da ilha que certamente irei fazer nesse período que estarei por aqui.
Rogério Piva