Um encontro inesperada traz Rogério Piva de volta a sua infância
A exatamente 23 anos atrás eu tinha 11 anos e trabalhava numa feira no bairro Paraíso. Eu era um carregador, carregava as sacolas e os carrinhos das "madames" enquanto elas faziam as compras e levava até a casa delas. Trabalhava um bocado, o dia todo e ganhava cerca de 15 reais a cada domingo. Nesse período de três anos, trabalhei em algumas bancas de frutas e verduras, mesmo sendo bem criança, alguns donos de banca me contratou.
No Domingo passado, decidi voltar a esta feira e para minha surpresa reencontrei com o Sergio, o dono de uma banca que havia me contratado e me dado uma força nesse meu tempo de muleque trabalhador. Lembro das broncas que tomava e quando derrubei a caixa de folhas de uva que eram bem valiosas e o Sergio ficou bem zangado.
Trabalhei na feira dos 11 aos 14 anos, pois aos 14 anos, encontrei com o malabarismo e o malabarismo me puxou para ver o mundo.
Dei um abraço no Sergio, feliz em ter lhe reencontrado, apesar de ele não ter se lembrado de mim, se mostrou muito contente com minha trajetória e fez questão de pagar pelo livro que eu lhe daria.
Já era o fim da feira, o caminhão carregado, não iria precisar da minha ajuda. Subi aquela rua cheia de prédios luxuosos que me levou pelas lembranças das tantas sacolas que carreguei e algumas vezes até entrava naqueles palácios que eram o luxo que eu nunca havia visto. Saia com os 2 reais cobrados. A banca do pastel que tantas vezes eu ficava ali, esperando que alguém me oferecesse pagar algum.
Subi a rua sorrindo, querendo chorar por tantas recordações e feliz pelo largo sorriso do Sergio que mesmo sem recordar do pivete que foi seu funcionário, segurou minha mão orgulhoso e agradecido.
Rogério Piva