Juggler Rogério Piva
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Ser Palhaço

Ser Palhaço

Bom.. tentar ser palhaço. Essa arte tão incrível e tao difícil que me fez sentir-me tão bem. Atuei poucas vezes como palhaço em circos pequenos, nunca me considerei bom e por isso não me dediquei, mas sempre fui apaixonado. Aqui na Ilha, comecei a atuar como palhaço, pois o palhaço que tínhamos deixou o circo e como não havia outra pessoa, eu encarei a difícil tarefa. 
Comecei a pensar de que maneira eu faria, mas logo me veio a cabeça que o melhor que eu poderia fazer era entrar no picadeiro e não interpretar, eu precisava apenas ser eu. Fiz uma reprise que todos no Brasil fazem, mas aqui é desconhecida. Em seguida, passei a usar o que eu tenho de habilidades e a maneira que eu desfruto cada uma delas. Toquei meu acordeon de maneira apaixonada como o faço, me sentindo tão feliz com as poucas notas tocadas por meus dedos ainda inexperientes. Andei na corda bamba, caí dela, subi de novo. Usei malabares, equilíbrio, musicalidade, o molejo do meu corpo, o olhar no olho, a conexão. Não interpretei, apenas estava sendo eu, ali na pista, confortável, tranquilo, feliz. Sinceramente, não me considero bom, nem sei meu nome de palhaço, peço desculpas aos verdadeiros palhaços do mundo por usar essa mascara de tanta responsabilidade. Mas eu acho que consegui, e o público sorriu com minhas peripécias, se encantou com minha música, se assustou com minhas quedas, se impressionou com minha ousadia, se motivou com minha persistência e me aplaudiu no meu comprimento, se foi sincero ou não, eu não sei. Mas pra mim, foi transformador.

Rogério Piva

 

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