Em um cantinho, ocupei, montei tudo, cada detalhe, cada capricho. No olhar, na mensagem, anunciei que um saltimbanco havia chegado, que um mambembe se instalou, só por uma noite, só por um instante. Na teimosia de artista, silenciei as dores do corpo, me anestesiei no olhar curioso da criança e no sorriso nostálgico do idoso. Este estranho que sou, que só aparece, com ousadia, com arte, mas aquela arte popular, no olhar que toca, na fala compreendida, na dor compartilhada, a arte popular que abraça e é abraçada, é quando enfim o povo se encontra com aquilo que é feito por ele e para ele. A gente se rega da poesia e no cimento, fazemos florescer sentimentos, cidadania, dignidade. As luzes que brilham, a música que toca e o equilibrista que se arrisca diante dos olhos atentos, a reflexão, o questionamento, a alegria, a imaginação, fantasia que se contrasta na indignação.
O Bairro Hernani Sá nem esperava, cheguei de repente na Praça da Urbis e no imaginário daqueles que me viu aparecer, quase como uma figura folclórica, rapidamente me viu partir e deixei como presente a recordação de um saltimbanco que apareceu.