Na minha ousadia como artista, fui de encontro novamente com o teritório africano, desta vez, fui ao Marrocos com o intuito de chegar na Mauritânia. Cruzei o deserto do Sahara por terra, impactado pela imensidão e pelos estilos de vida tão peculiar daquela região. O deserto é fasciante e te leva no contato intenso com o seu intimo. Sempre muito bem recebido pelas populações, apresentei meus espetáculo em muitos lugares, apesar da dificuldade por ser uma zona de muito controle, tive de ser muito persistente e teimoso.
Quando atravessei a fronteira do Marrocos e entrei na Mauritânia, foi como entrar em um portal. A Mauritânia é um país muito particular e diferente de tudo o que já presenciei. A viagem foi muito difícil devido a precariedade do transporte e da infra estrutura. Fazer qualquer apresentação demandava um esforço muito grande, já que não existe espetáculos como o do circo e tudo é muito controlado pelo governo que tem como base a religião. Depois da Capital Nouakshot, fui numa viagem por 19 horas até uma prquena vila chamada Ould Yenge, na fronteira com Mali e Senegal. Fui recebido por famílias onde fui acolhido e bem cuidado.
Cada show realizado na Mauritânia foi uma conquista. Meu corpo cansado por carregar minhas maletas, minha mente confusa resistia entre a exaustão, saudade, vontade de casa e também de seguir caminho ate o Senegal. Mas decidi encerrar minha viagem e retornar ao Brasil depois de 30 dias nesta viagem que me fez entender muito sobre mim mesmo. Não fui muito fiel em estar registrando cada movimento, tenho deixado a camera de lado com mais frequência. Este compilado de imagens, e apenas uma pequena parte dos momentos que vivenciei na Mauritânia e que agora, são partes deste vídeo que me enche de nostalgia.
Vou seguindo como artista popular e acreditando, desbravando e descobrindo os caminhos que minha arte me possibilita, fazendo dela uma ferramenta de encontros, priorizando o povo mais humilde que históricamente é abandonado e explorado, sem ter acesso a diversidade deste mundo. Vou com o grão de areia que tenho, espalhando a semente que germina em mim para que eu possa deixar um pouco do sabor dos frutos que cultivo. Obrigado Mauritânia.
Obrigado Ibrahim Kane e Oumou Kane, Brainy Kane e toda a família que me abraçaram como um irmão.
Obrigado minha amiga Vanessa Sanchez que esteve comigo como um braço direito.